Marvel Millenium

1:13 pm Onomatopéias

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Cara, se tem uma palavra que descreve o que sinto pelas grandes editoras de quadrinhos norte-americanas no momento é: DECEPÇÃO.

Domingo comprei uma edição novinha de Marvel Millenium. Edição que comemora os 40 anos de publicação do Homem-Aranha no Brasil e que corresponde à centésima edição de Ultimate Spiderman no original gringo.

Sabe o que aparece escrito na primeira página?

Anteriormente em Homem-Aranha Millenium

A picada de uma aranha geneticamente alterada concedeu ao aluno de colegial Peter Parker incríveis poderes aracnídeos! Quando um ladrão matou seu amado Tio Ben, o pesaroso rapaz jurou usar seus espantosos dons para proteger seus semelhantes. Ele aprendeu uma valiosa lição: com grandes poderes vem grandes responsabilidades…

Depois disso, começa a história da saga do clone – DENOVO! Essa saga já foi contada diversas vezes na HQ e nas três séries de animação mais recentes do Homem-Aranha. É durante essa saga que conhecemos Venom e Carnage (ou Carnificina, no Brasil). Recentemente, vimos a história do Venom também nos cinemas, em SpiderMan 3.

Bem, qual é a proposta dessas publicações da Marvel Millenium?

Recontar a origens de alguns super-heróis Marvel de maneira atualizada.
No caso do Aranha, por exemplo, ele não é mais um fotógrafo do Clarim Diário e sim um web-designer.

Mas, na boa?
EU NÃO SUPORTO MAIS VER O TIO BEN MORRENDO, OS PAIS DO BATMAN SEREM MORTOS NO BECO NA SAÍDA DO CINEMA OU O QUARTETO SOFRENDO UM ACIDENTE CÓSMICO. Simplesmente não dá mais!

Acho que as editoras deveriam respeitar mais os leitores. Principalmente a Marvel.
Essas histórias me cheiram a caça-níqueis.
Se você quer que as novas gerações, que começaram a ler seus heróis recentemente, saibam tudo sobre sua mitologia, ENTÃO ESCREVAM DIREITO.

Nesse ponto a DC está muito à frente da Marvel. Em O Legado das Estrelas, a origem do Super-Homem é recontada de uma forma muito bem amarrada, convinvcente e com uma arte impecável. Inclusive, atualizada, com uma versão online do Planeta Diário no enredo, celulares e câmeras digitais, etc. Em Entre a Foice e o Martelo, a nave do Super-Homem cai na URSS em vez de cair no Kansas, em plena Guerra. A história fica interessantíssima. E, finalmente, em Identidade Secreta, o Super-Homem é mostrado de uma maneira muito realista, com uma outra origem.

A saga da Liga nas mãos do Ross e do Dini também conseguiu recontar as origens dos super-heróis DC linda e suscintamente (duas páginas cada!), sem encher o saco de ninguém e com uma beleza ímpar no mundo dos quadrinhos.

Em parte isso mostra porque os leitores têm preferido as mini-séries e as graphic novels do que acompanhar seus heróis nas bancas todo mês. Simplesmente porque os melhores roteiristas vão para as mini-séries!! E as histórias regulares da cronologia dos heróis ficam um saco.

A edição de Marvel Millenium que eu comprei tem três histórias: Uma do aranha com a primeira parte da saga do clone (recontada), uma dos X-Men recontando o encontro com Cable e uma do Quarteto Fantástico que eu não consegui situar muito bem.

A do Aranha, desenhada pelo Mark Bagley, está linda, como sempre. Aliás, tem uma ótima galeria de esboços dele na revista que, pra mim, é a única coisa que valeu o meu dinheiro. A história dos X-Men está com uma arte pífia, medonha. Que me desculpe o Ben Oliver, mas parece que desenhou tudo em meia-hora de tão ruim. Nessa HQ, o ponto forte fica nas cores, que ficaram excelentes. Realmente salvam o trabalho. Já a do Quarteto, desenhada pelo espanhol Pasqual Ferry, ficou lindíssima. Nesse caso, infelizmente perdeu nas cores. Parece que o Justin Ponsor quis usar todos os filtros e texturas do Painter que ele conhecia. O resultado ficou exagerado e forçado demais.

Essa ilustração do Bagley foi feita para comemorar a edição 100 de Ultimate Spider-Man. O cara realmente tem o braço.

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Abaixo temos as capas de The Amazing Spider-Man # 100 e Ultimate Spider-Man # 100. A segunda uma “homenagem” à primeira.

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O que podemos dizer?
Fala sério!

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