Tempest

Análise de HQs Comente!

Quem me conhece sabe que eu não sou de ficar comprando quadrinhos toda vez que passo perto de uma banca. Aliás, acompanho muito pouco as reviravoltas quinzenais das grandes editoras, Marvel e DC, e tenho procurado títulos menos “blockbusters” (nada contra, por favor). Ultimamente tenho acompanhado alguns títulos de Mangá (porque todos têm um prazo de validade). As HQs americanas seguem eternamente e a gente fica escravo das bancas…..

Bom, eis que estava eu andando despretensiosamente pela livraria atrás de algo diferente quando vi, numa prateleira de liquidações, um encadernado de bolso do Flash Gordon por míseros R$2. Eu não podia perder!! Fui procurando por mais preciosidades do mesmo valor mas não encontrei nada…. só um mangá estranho, Tempest. Também por 2 merréis. Olhei na última página e me interessei quando li “Fim”. Volume único! Vou levar.

Que grata surpresa. Depois fiquei sabendo que o trabalho do Senno Knife é todo nessa linha, mas até então não o conhecia. No Mangá encontrei 7 histórias adaptadas de clássicos da lietratura. Todas com um olhar muito pessoal do autor, mas também sem perder a essência do original. Knife toma diversas liberdades no decorrer das estórias, adicionando toques de erotismo e mais. Contudo, não deixa de ser fiel às tramas, com direito a detalhadas pesquisas de vestuário e arquitetura das épocas em que se passam os contos.

Senno Knife é um mestre em adaptar histórias da literatura para o seu universo erotizado. Contos de fadas, peças de teatro, relatos eróticos, Knife utiliza os clássicos como base para suas perversões.

Fonte: Conrad

Em “Tempest” há adaptações de Shakespeare (é, inclusive, este conto que dá nome à obra – “Tempestade”), Victo Hugo (“A Cigana de Notre Dame”, uma adaptação de “O Corcunda de Notre Dame”), os irmãos Grimm, Masoch (“A Vênus das Peles”), Hans Christian Andersen e mais. Impressionante. Os desenhos são lindos e as releituras são muito interessantes, tanto para quem conhece as obras originais como para quem nunca teve contato com elas antes.

Fazendo uma breve pesquisa, vi também que ele tem um outro livro só de adaptações, com destaque para obras do Marquês de Sade. É o próximo que vou procurar em uma livraria, com certeza.

Fazer HQ passo-a-passo

Vida de Quadrinhista Oba! 2 Comentários!

Depois de mais seis meses, vamos dar continuidade à nossa cartilha. O primeiro passo foi o Roteiro. Vimos que o processo é bem parecido com o de cinema, com pré-produção, produção e pós-produção, cada uma dessas etapas composta por partes diferentes do processo.
Na primeira etapa da pré-produção, vimos como estruturar a narrativa, como trabalhar a idéia desde sua concepção; definir os papéis dos personagens e o contexto da estória. E agora, depois de treinar bastante esse passo, chegou o momento de seguir adiante.

Ainda na pré-produção, temos o seguinte desafio: selecionar o elenco.

Ok, já sabemos quem são nossos personagens, seus temperamentos, suas ambições, etc. Se você fez o dever de casa direitinho e fez o fichamento de todos os personagens da sua HQ (ou pelo menos os principais), essa etapa vai ser moleza.

Vejamos o segunte trecho como exemplo de fichamento de um personagem (apenas caracteristicas físicas – contribuição do meu parceiro Alex Moletta):

Heitor: HEITOR TEM EM TORNO DE 25 A 28 ANOS. MORENO, CABELOS PRETOS E COMPRIDOS ATÉ OS OMBROS E UMA BARBA BEM RALA. POSSUI UMA CICATRIZ EM FORMA DE “D”(MARCA DO DEGREDADO)NO ROSTO. POSSUI UMA EXPRESSÃO DE “POUCOS AMIGOS” ESTAMPADA NO ROSTO. VESTE ROUPAS DE NOBRE, PORÉM GASTAS E SUJAS PELO TEMPO EM QUE ESTÁ NA PRISÃO.

Cara, por mais precisa que seja a descrição, centenas de rostos e configurações corporais cabem nela. Cabe ao desenhista, por tanto, “escolher” a melhor, selecionando entre as possíveis na sua cabeça. Mas imaginar é uma coisa, ver no papel é outra. Você só sabe se uma idéia vai dar certo ou não quando desenhá-la.

Claro, você não vai acertar na primeira tentativa (ou talvez até acerte, mas é raro). Eu gosto de começar essa parte com esboços beeem descompromissados, para ir moldando o personagem. É bom ir fazendo anotações e ver o que você pode melhorar e como. Daí você já prevê detalhes como roupa, cabelo, estatura, alguns trejeitos, etc.

Tendo concluído essa primeira etapa, é bom pensar em como o rosto do seu personagem vai reagir a cada situação. Faça um model sheet do rosto dele: de frente, de lado e de perfil. Repita diversas vezes, com cara de mau; rindo, chorando, surpreso, etc. Você tem que conhecer seu personagem, então desenhe-o à exaustão se quiser que ele seja convincente. E tenha sempre em mente as características psicológicas que você bolou durante o fichamento. Se o cara for muito mal, expressões apaixonadas não vão fazer nenhum sentido – a menos que ele queira enganar ou seduzir alguém. Mas você tem que dar conta de passar isso no traço. Difícil, né? Pois é. Vai treinar!

Agora, vamos trabalhar detalhadamente o corpo do seu personagem. Se você já decidiu, nos primeiros esboços em linhas gerais, que se trata de um homem robusto ou de uma mulher sensual, agora é a hora de detalhar o desenho; coloque aquela cicatriz, tatualgem ou marca de nascença que o personagem tem. Especifique a altura e as proporções e faça um manual que você possa seguir, desenhando o seu personagem de frente, de lado e de costas. Assim, você não erra durante o restante da estória.

Caso tenha detalhes específicos de vestuário, detalhe-os também. Enfim, crie calos nas mãos, meu amigo. Mas saiba que tendo cumprido essa etapa bem feita, você vai ter muito mais ferramentas para trabalhar e muito menos dor de cabeça para prosseguir com a HQ.

Enfim, basicamente, o “casting” dos atores da sua HQ é como se fosse um “fichamento visual” dos personagens. Da mesma forma, você tem que conhecê-los de cor e na palma da mão.

Acompanhem para ver nos próximos posts as etapas de produção e pós-produção.

Problemas de Dicção

Vida de Quadrinhista Comente!

Uma das caracterizações mais legais do cinema é o novo Batman. O ator muda até a voz para diferenciar o homem-morcego de seu auter-ego Bruce Wayne.

Pois bem: alguém resolveu fazer uma – ótima – piada com isso…

Clique na imagem ou aqui para ver o vídeo (legendado).

Vi no Saber é bom Demais.

Google Chrome – Polêmica e HQ

Análise de HQs, Softwares Comente!

Tá, é notícia velha, mas eu não tinha falado nisso ainda e acho importante não deixar passar em branco.

O Google Finalmente lançou seu navegador, com várias inovações e algumas vantagens sobre seus maiores concorrentes. Na minha opinião, a briga fica entre Firefox e Internet Explorer, com o browser da raposa ganhando mais terreno e usuários felizes a cada dia. O Safari, da Apple, apesar de bonito, não se mostrou ainda uma alternativa à altura – pelo menos, não em máquinas que rodam Windows.

Mas o Chrome – navegador do Google – ganhou notoriedade não apenas por sua elevada inteligência de proteção de dados e navegação rápida que não ocupa a memória da máquina. O primeiro Contrato de Utilização do Software que vinha com o arquivo de instalação assim que era feito o download (e que todo mundo aceita sem ler) obrigava o usuário a ceder de forma vitalícia, irrestrita, irrevogável e completamente os direitos autorais sobre qualquer conteúdo publicado na web através do navegador, em “uma licença irrevogável, perpétua, mundial, isenta de royalties e não exclusiva para reproduzir, adaptar, modificar, traduzir, publicar”. For ever and ever and ever.

Muita gente falou, protestou, chorou e esperneou. Várias “Teorias da Conspiração” apareceram e o Google “admitiu seu erro”, pediu desculpas e mudou o referido contrato, dizendo que “Você retém direitos autorais e quaisquer outros direitos que já possui sobre Conteúdo enviado, publicado ou reproduzido em ou por Serviços” logo no começo do artigo.

No final das contas, eu fiz o download do software mas ainda não comecei a usar. Então, ainda não tenho uma opinião formada sobre a revolução que causará (ou não) na web e sua potencial ameaça aos navegadores reinantes.

Mas o que mais me chamou a atenção em meio a tudo isso foi a forma que o Google escolheu para divulgar o programa e suas funcionalidades: uma História em Quadrinhos, feita por Scott McCloud. Não é uma obra-prima, mas cumpre seu papel. Muito bem, aliás. E mostra que HQ e Publicidade podem dar um caldo e tanto.