O destino das Histórias em Quadrinhos

1:23 am Vida de Quadrinhista

2008 começou com uma agitação danada por parte dos Autores Independentes de Histórias em Quadrinhos. Muitos acreditavam que seria o ano do quadrinho nacional. Comunidades virtuais foram mobilizadas, houve rebuliço nos fotologs e muitas HQ’s foram escritas e desenhadas. Muita gente acreditou que o Brasil poderia, novamente (?), ser um pólo produtor e exportador de HQs e não apenas um importador de enlatados, produtos prontos e padrões estabelecidos.

Bem, eu nunca fui tão otimista. Pelo menos, não em relação aos quadrinhos impressos.

A verdade é que o público brasileiro não tem o hábito de ler. Exatamente por isso, as editoras nacionais preferem apostar no material que tem público garantido (importado) do que nos anônimos artistas independentes brasileiros. O que sobra? Xerox, edições do próprio bolso e tentativas, muitas vezes frustradas, de vender suas próprias revistas por aí. Com pouco ou nenhum sucesso.

Mesmo as consagradas HQs americanas e os mangás começaram a sofrer com essa situação. Embora o público brasileiro não seja formador de ávidos leitores, contribui em boa parte para a formação de NERDs. E daí aparecem os Scans, pirataria de quadrinhos na web.

Pirataria nem é o termo apropriado; muita gente já viu que não adianta mais lutar contra esse fenômeno. A própria Marvel já entrou na dança e começou a disponibilizar suas HQs na rede.

Ora bolas, se uma grande dominadora do mercado mundial enxergou isso, o que será que os autores independentes brasileiros estão pensando da vida?

Aqui vai o meu conselho: se você é um autor independente e quer fazer HQ’s, quer ser lido, quer que outras pessoas conheçam seu trabalho ao redor do planeta, invista no público certo. Faça HQ para os NERDs, não para os leitores! Os NERDs sim, são entusiastas. E passam a informação uns aos outros. Em outras palavras: desista de imprimir sua HQ e faça já uma WebComic.

Exemplos legais não faltam por aí, como o trabalho do Daniel ou do Marcos. Com o tempo, pode ser até que você fature uma graninha, sem ter que ter a dor de cabeça de imprimir, negociar distribuição e venda, etc etc etc. Vale a tentativa.

Outra alternativa é investir nos dispositívos móveis: PSP, iPhone, celulares, palms. Isso também pode ser uma ótima, principalmente para quem tem acesso aos Scans e não tem paciência para ler no computador.

Daqui para a frente, se perguntarem se você quer ver sua HQ digital ou impressa, pense melhor antes de responder.

6 Comentários

  1. Vida de Quadrinhista » Blog Archive » Dia do Quadrinho Nacional Says:

    [...] Como dissemos recentemente, isso vai depender de quanto tempo vai levar para os autores se adaptarem às novas mídias. Principalmente os independentes. [...]

  2. Gilson Says:

    Cara quanta merda essa cara ta falando…Primeiro: Explica ae como que o cara vai ganhar dinheiro Hoje, nos termos de hj com webcomix?? e segundo: web comix não é a mesma coisa. Com a revista deita, se rola no sofá e com o pc não. Usar a net pra divulgar sim, é imprescindivel. Agora, ainda não há como fazer disso o unico meio. Até pq, nenhum leitor digital ainda supera o bom e velho papel. Antes de falar estas merdas, vê se pensa antes em respeitar os que realmente entendem de hq…mané!

  3. Gilson Says:

    …tenta ler uma hq na telinha do celular, ou do psp…E pagar pra ter um pdf é foda. Ainda há espaço pra impressões no papel e ainda é o caminho. Essa de que leitor brasileiro não tem o hábito de ler é balela. Vai em qualquer sebo e vc vai ver a quantidade de gibis lá e não fui eu e meus irmãos quem vendeu a coleção pra queles caras. O problema dos quadrinhos nacionais é simplesmente de identidade. Não há empatia do publico com oq se faz hj. Quem vai gastar pra ler o Cranio, a Velta? Deus me livre. Quando os caras começarem a ver que imitar não leva a nada ae sim as coisas podem mudar. É preciso ter uma identidade, isso q pega. Pois se fosse por hábito de leitura a Dinamarca, a Finlandia, a Alemanha teriam um mercado de quadrinhos gigante como o japão e os EUA…e não teem.

    Parar com essa cagaça de querer emular os super herois e tentar criar um estilo proprio é a saida. Sou nerd assumido e não engulo essa sua de que tem q se voltar pra publicações na web…vc não sabe a bosta que está falando.

  4. Danilo Says:

    Para alguém que se diz tão “entendido”, parece que você não conseguiu entender nem mesmo o texto do post.

    Antes de vir com marra, senhor “Nerd Assumido”, vá estudar um pouco sobre o mercado editorial e sobre os interesses das editoras.
    Em momento algum eu disse que alguém vai ficar rico com quadrinhos digitais. Muito menos que eu prefiro quadrinhos no celular ou no PSP. E eu nunca – NUNCA – admitiria a venda de quadrinhos em PDF!!!

    A verdade, senhor sabe-tudo, é que os quadrinhos têm um caminho tenebroso pela frente. Nada do que for criado – não basta ‘parar de copiar’ e criar uma coisa ‘original’ – será comprado pelo público leitor braileiro. Nada! E justamente por isso, as editoras não abrem suas portas.

    E se as editoras não abrem suas portas, os autores independentes têm que viver, ter um trabalho, ter uma vida. Simplesmente não sobra tempo para se dedicar ao desenho ou a uma idéia brilhante, como os artistas que já estão no mercado. Esses autores independentes só fazem quadrinhos porque AMAM. Porque sonham com isso dia e noite. Porque querem ser LIDOS. E não porque querem ganhar dinheiro.

    E se eles não querem ganhar dinheiro, o melhor caminho é a webcomic sim, que pode chegar ao mundo inteiro sem gastar um centavo com impressão ou distribuição.
    Não me venha você, senhor Gilson, com mil “achismos” e impressões erradas sobre quadrinhos ou sobre o mercado editorial. Tudo o que eu escrevi tem fundamento. Dê uma olhada no meu currículo ai no site. Eu tenho experiência de sobra comparado a você, afinal sou AUTOR E ESTUDIOSO DOS QUADRINHOS. Some a isso minha experiência do mercado publicitário e o know-how da psicologia do consumidor – que eu aprendi na faculdade e no dia-a-dia da minha profissão, e não no boteco, de onde você provavlmente tira essas suas teorias sem pé nem cabeça.

    E esse exemplo esdrúxulo que você deu? Finlândia, Alemanha e Dinamarca não produzem quadrinhos??? Você não sabe da missa um terço. Lá eles não só produzem quadrinhos como também produzem várias outras artes, em escala muito maior do que aqui no Brasil. Porque lá há público para isso. Você não sabe disso pelo mesmo motivo que os quadrinhos brasileiros não fazem sucesso: porque esse tipo de arte não tem espaço no mercado brasileiro e não chega até aqui, mas eu te asseguro que existe.

    Ah, a propósito, ler no PSP é ótimo. A resolução de tela permite ler numa boa, e a qualidade de imagem é sensacional.

    Agora, faço minhas as suas palavras: VÁ ESTUDAR UM POUCO ANTES DE FALAR ESSAS BOBAGENS. VOCÊ NÃO SABE A BOSTA QUE ESTÁ FALANDO.

    Você tem direito de achar o que você quiser, mas não tem o direito de desacatar a ninguém. Se você quiser conversar como homem, discutir idéias inteligentes, seja bem-vindo sempre que quiser. Mas para ficar falando um monte de bobagens e xingando os outros, você não vale nem a resposta.

  5. Gilson Says:

    Eu respondi a tudo isso por email. Mas vou deixar algo aqui.

    Sua ferida foi tocada eu até admito, mas não vem com essa de “Voce sabe com quem vc está falando” pra cima de mim. Essa de que os “Criadores” independentes não estão pensando em dinheiro e só querem ser Lidos é até bizarro vindo de um cara que se diz o Jesus dos Quadrinhos. Caras como o Emir Ribeiro, que vivem xingando leitor da marvel e da dc e que não compra o lixo feito por ele, estão pouco se lixando pra serem lidos. Pois se isso importasse realmente pra ele, duvido que criaria tal atentado a saude quadrinhistica que é aquela merda da Velta.

    Bom, agora que desabafei me sinto melhor. Não há mercado de hq’s no Brasil isso é fato. Nem comercial, nem independente. O que há é artesanato. Fanzine desfarçados de revistas. Enquanto não mudar a postura será assim pra sempre.

    E o modelo comercial de webComix ainda é mais favoravel pra quem faz tiras, cartuns…pois ficar lendo uma revista de 48, 60 pags na tela de um pc é fadonho demais.

    E pra finalizar, não me inclua na sua lista negra, gostei de varios posts seus, mas não tenho q amar todos. E não xinguei a sua pessoa. Fui contra o texto oq achei que era normal, mas parece q vc não é lá um cara aberto…

    :p

  6. Danilo Says:

    Arrogância se combate com arrogância, meu caro.

    Você veio com uma bordoada e eu vim com outra. Não sou nenhum babaca, nem gosto de “arrotar” por ai (ou “ejacular”, como você colocou) o que eu sei ou o que faço. Mas pelo jeito que você veio, tinha que tomar uma. Sinto muito, não era nada pessoal.

    Eu aviso uma vez. Sou super aberto, muito mesmo, mas como eu disse, se você quiser conversar como gente. Porque na minha casa, ou a conversa rola do meu jeito ou ela não rola, simplesmente. E ponto final. E o meu jeito é: RESPEITO AOS DEMAIS USUÁRIOS, RESPEITO ÀS OPINIÕES E RESPEITO AO AUTOR DO BLOG – que por acaso sou eu. De resto, você pode – e deve – contestar o que achar que está errado. Eu não sou nenhum dono da verdade. Mas você também não é, cara. E se você quiser vir falar comigo achando que VOCÊ É – sinto muito, cara, mas não vai rolar.

    Volte. Volte mesmo ao blog. Vamos quebrar o pau. Mas como homens, não como bêbados. Se as nossas conversas chegarem a um termo legal, um dia sentamos pra tomar uma cerveja juntos e falar de quadrinhos. E aí sim, bêbados.

    Voltando ao assunto, agora sem pedras na mão.

    Pessoas como eu e você, que adoramos quadrinhos BONS e IMPRESSOS, estão diminuindo de número vertiginosamente a cada geração. Não só no Brasil, como no mundo. E isso não é lá muito promissor, você há de convir. É um mercado em franca decadência. Em contrapartida, tem gente que ganha dinheiro com quadrinhos online. Wullffmorgenthaler, Penny Arcade, entre outros. Com publicidade nos seus sites e merchandising de produtos relacionados aos personagens (não com a “venda” das HQ’s propriamente dita, nisso você tem razão. Como eu disse no e-mail anterior, eu nem apoiaria uma coisa dessas…). O que torna os quadrinhos online uma alternativa muito palpável sim. Eu não gosto de ler na tela, nem você. Mas como eu disse, eu você estamos nos tornando minoria. Tem muita gente que GOSTA de ler na tela. Até prefere, acredite se quiser.

    Ah, seja sempre bem-vindo.

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