Magnito 2010 – O Gignte do Caraça, parte 2

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Magnito 2010 by Danilo Aroeira

Custou, mas saiu! Depois de aproximadamente três semanas, terminei todos os esboços iniciados aqui.

O problema é que agora tenho cerca de três semanas para finalizar e colorir todas as 24 páginas… desenhar a capa… letrar e diagramar. Será que vou conseguir? Ainda mais com um feriado no meio? Só o tempo dirá…

Bom, o que eu tentei fazer foi reduzir o número de quadros em relação aos enredos anteriores. Antes eu fazia muitas pausas, close-ups e tudo o mais, coisas que eu cortei dessa edição da revista, apesar de gostar muito. Sei que com isso perdemos em dramaticidade, mas o roteiro tinha ficado muito complexo e, se eu ficasse quebrando a narrativa demais, a estória ficaria muito extensa. Dessa forma, o ritmo acabou ficando um pouco acelerado, mas acredito que, ainda assim, esteja satisfatório.

Para compensar, decidi que o ponto forte dessa HQ seriam as ilustraçoes. As reproduções das paisagens do parque do Caraça e sua biodiversidade. Dediquei bastante espaço aos cenários, e quase não uso quadros “chapados” dessa vez. Usei algumas “splash pages” e abusei das sangrias, sobrepondo alguns quadros às paisagens das cenas grandes. E claro, tentei sempre mesclar os personagens em todoas as cenas, dando especial atenção aos que estão em segundo plano, mesmo que apareçam pouco. Assim, pelas suas expressões faciais e corporais, podemos ganhar um pouquinho na dramaticidade que pedemos por causa do ritmo dos quadros.

Não vai dar pra ler muito bem os meus garranchos, mas disponibilizo para download assim que terminar. Espero que gostem e que dê para ter uma idéia de como a estória vai ficar no fim das contas.

Leia o restante deste post…

Projeto para alavancar a produção brasileira de animações

Onomatopéias Oba! 1 Comentário!

“O objetivo do projeto AnimaTV é estimular o desenvolvimento da indústria brasileira de animação a partir de diversas ações.”

Poxa, quando é que as Histórias em Quadrinhos vão merecer um incentivo desses??

Gente boa no mercado tem de sobra. Tá todo mundo cansado de saber.
Viver fazendo mágica e vendendo o almoço pra comprar a janta a vida toda é que não dá.

Por isso que o Quadrinho Nacional custa a emplacar. Por isso que nunca é visto como “profissional”.

Porque quadrinhista brasileiro ou tem que trabalhar pra fora ou tem que ter outra profissão e fazer HQ nas horas vagas. Aí é claro que o desempenho fica comprometido mesmo. E olha que, mesmo assim, ainda tem quem consiga dar seu jeito.

Mas parabéns ao mercado da animação. Já é um excelente começo e todos nós só temos a ganhar com isso.

Fazer HQ passo-a-passo

Vida de Quadrinhista Oba! 2 Comentários!

Depois de mais seis meses, vamos dar continuidade à nossa cartilha. O primeiro passo foi o Roteiro. Vimos que o processo é bem parecido com o de cinema, com pré-produção, produção e pós-produção, cada uma dessas etapas composta por partes diferentes do processo.
Na primeira etapa da pré-produção, vimos como estruturar a narrativa, como trabalhar a idéia desde sua concepção; definir os papéis dos personagens e o contexto da estória. E agora, depois de treinar bastante esse passo, chegou o momento de seguir adiante.

Ainda na pré-produção, temos o seguinte desafio: selecionar o elenco.

Ok, já sabemos quem são nossos personagens, seus temperamentos, suas ambições, etc. Se você fez o dever de casa direitinho e fez o fichamento de todos os personagens da sua HQ (ou pelo menos os principais), essa etapa vai ser moleza.

Vejamos o segunte trecho como exemplo de fichamento de um personagem (apenas caracteristicas físicas – contribuição do meu parceiro Alex Moletta):

Heitor: HEITOR TEM EM TORNO DE 25 A 28 ANOS. MORENO, CABELOS PRETOS E COMPRIDOS ATÉ OS OMBROS E UMA BARBA BEM RALA. POSSUI UMA CICATRIZ EM FORMA DE “D”(MARCA DO DEGREDADO)NO ROSTO. POSSUI UMA EXPRESSÃO DE “POUCOS AMIGOS” ESTAMPADA NO ROSTO. VESTE ROUPAS DE NOBRE, PORÉM GASTAS E SUJAS PELO TEMPO EM QUE ESTÁ NA PRISÃO.

Cara, por mais precisa que seja a descrição, centenas de rostos e configurações corporais cabem nela. Cabe ao desenhista, por tanto, “escolher” a melhor, selecionando entre as possíveis na sua cabeça. Mas imaginar é uma coisa, ver no papel é outra. Você só sabe se uma idéia vai dar certo ou não quando desenhá-la.

Claro, você não vai acertar na primeira tentativa (ou talvez até acerte, mas é raro). Eu gosto de começar essa parte com esboços beeem descompromissados, para ir moldando o personagem. É bom ir fazendo anotações e ver o que você pode melhorar e como. Daí você já prevê detalhes como roupa, cabelo, estatura, alguns trejeitos, etc.

Tendo concluído essa primeira etapa, é bom pensar em como o rosto do seu personagem vai reagir a cada situação. Faça um model sheet do rosto dele: de frente, de lado e de perfil. Repita diversas vezes, com cara de mau; rindo, chorando, surpreso, etc. Você tem que conhecer seu personagem, então desenhe-o à exaustão se quiser que ele seja convincente. E tenha sempre em mente as características psicológicas que você bolou durante o fichamento. Se o cara for muito mal, expressões apaixonadas não vão fazer nenhum sentido – a menos que ele queira enganar ou seduzir alguém. Mas você tem que dar conta de passar isso no traço. Difícil, né? Pois é. Vai treinar!

Agora, vamos trabalhar detalhadamente o corpo do seu personagem. Se você já decidiu, nos primeiros esboços em linhas gerais, que se trata de um homem robusto ou de uma mulher sensual, agora é a hora de detalhar o desenho; coloque aquela cicatriz, tatualgem ou marca de nascença que o personagem tem. Especifique a altura e as proporções e faça um manual que você possa seguir, desenhando o seu personagem de frente, de lado e de costas. Assim, você não erra durante o restante da estória.

Caso tenha detalhes específicos de vestuário, detalhe-os também. Enfim, crie calos nas mãos, meu amigo. Mas saiba que tendo cumprido essa etapa bem feita, você vai ter muito mais ferramentas para trabalhar e muito menos dor de cabeça para prosseguir com a HQ.

Enfim, basicamente, o “casting” dos atores da sua HQ é como se fosse um “fichamento visual” dos personagens. Da mesma forma, você tem que conhecê-los de cor e na palma da mão.

Acompanhem para ver nos próximos posts as etapas de produção e pós-produção.