Dia do Quadrinho Nacional

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E ainda há quem diga que as Histórias em Quadrinhos estão fadadas ao insucesso.

Como dissemos recentemente, isso vai depender de quanto tempo vai levar para os autores se adaptarem às novas mídias. Principalmente os independentes.

Quando digo isso, não me refiro apenas ao uso do computador para produzir a HQ ou publicá-la na internet.
As opções são muitas, e estão todas aí. Disponíveis a todos, muitas vezes de graça.

No último dia 30 foi comemorado o Dia do Quadrinho Nacional. Em BH, é o quarto ano consecutivo que esta data é celebrada com exposições, debates, lançamentos, etc. E a Rede Globo Minas realizou uma matéria razoável (é impressionante como os jornalistas de hoje em dia não procuram se profundar sobre os assuntos das matérias. Principalmente quadrinhos. Só fazem perguntas idiotas, cujas respostas são nada mais do que o que todo mundo já está cansado de saber… Sem falar que entrevistar o Amauri de Paula e mostrar apenas sua coleção particular de revistas é desperdiçar uma oportunidade e tanto).

Clique aqui para ver o vídeo.

No final da reportagem, o assunto vira a questão “Quadrinhos Digitais X Quadrinhos Impressos”.

A mocinha tem lá sua razão. Não é a única a preferir os quadrinhos tradicionais, o conato físico com a obra, folhear. Sentir. Mas se esquece das limitações que isso traz, das dificuldades para um autor de entrar em um mercado seletivo, preconceituoso e que não dá espaço para o novo; e, havendo entrado, da dificuldade de publicar o que quer e se expressar livremente. Estou com o criador do “Patrik”, a onda agora é a Web. Liberdade de expressão, alcance ilimitado e despesa mínima. Não há como negar.

Entretanto, o ponto de vista da senhorita que prefere as revistas mostra que a publicação ainda tem força. A transição do público é lenta e encontra alguma resistência justamente porque os quadrinhos ainda são – e o serão por muito tempo – muito fortes.

“O que se tornará o quadrinho no final das contas?”, pergunta a repórter. “Ainda serão quadrinhos?”

Não. Serão picolé de limão, sua besta.

O destino das Histórias em Quadrinhos

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2008 começou com uma agitação danada por parte dos Autores Independentes de Histórias em Quadrinhos. Muitos acreditavam que seria o ano do quadrinho nacional. Comunidades virtuais foram mobilizadas, houve rebuliço nos fotologs e muitas HQ’s foram escritas e desenhadas. Muita gente acreditou que o Brasil poderia, novamente (?), ser um pólo produtor e exportador de HQs e não apenas um importador de enlatados, produtos prontos e padrões estabelecidos.

Bem, eu nunca fui tão otimista. Pelo menos, não em relação aos quadrinhos impressos.

A verdade é que o público brasileiro não tem o hábito de ler. Exatamente por isso, as editoras nacionais preferem apostar no material que tem público garantido (importado) do que nos anônimos artistas independentes brasileiros. O que sobra? Xerox, edições do próprio bolso e tentativas, muitas vezes frustradas, de vender suas próprias revistas por aí. Com pouco ou nenhum sucesso.

Mesmo as consagradas HQs americanas e os mangás começaram a sofrer com essa situação. Embora o público brasileiro não seja formador de ávidos leitores, contribui em boa parte para a formação de NERDs. E daí aparecem os Scans, pirataria de quadrinhos na web.

Pirataria nem é o termo apropriado; muita gente já viu que não adianta mais lutar contra esse fenômeno. A própria Marvel já entrou na dança e começou a disponibilizar suas HQs na rede.

Ora bolas, se uma grande dominadora do mercado mundial enxergou isso, o que será que os autores independentes brasileiros estão pensando da vida?

Aqui vai o meu conselho: se você é um autor independente e quer fazer HQ’s, quer ser lido, quer que outras pessoas conheçam seu trabalho ao redor do planeta, invista no público certo. Faça HQ para os NERDs, não para os leitores! Os NERDs sim, são entusiastas. E passam a informação uns aos outros. Em outras palavras: desista de imprimir sua HQ e faça já uma WebComic.

Exemplos legais não faltam por aí, como o trabalho do Daniel ou do Marcos. Com o tempo, pode ser até que você fature uma graninha, sem ter que ter a dor de cabeça de imprimir, negociar distribuição e venda, etc etc etc. Vale a tentativa.

Outra alternativa é investir nos dispositívos móveis: PSP, iPhone, celulares, palms. Isso também pode ser uma ótima, principalmente para quem tem acesso aos Scans e não tem paciência para ler no computador.

Daqui para a frente, se perguntarem se você quer ver sua HQ digital ou impressa, pense melhor antes de responder.